Estamos diante de um momento
impressionante quando o assunto é informação. Nunca houve tanta fluidez
de dados sobre qualquer assunto. Nada se compara à força transformadora
que a internet promove ao disponibilizar globalmente todo tipo de
informação de forma ilimitada. Contudo, isso trouxe um efeito colateral
assustador: a superficialidade.
Diante de tantas possibilidades, vemos
cada vez mais a informação sendo compartilhada de forma fragmentada e
sintetizada, tornando muito raro o momento em que alguém se envolve com
todo o conteúdo disponibilizado, mesmo que este seja fruto de grande
pesquisa e contenha dados relevantes para quem se interessa pelo assunto
abordado.
Há muito mais interesse em manchetes e
subtítulos, fazendo com que editores se preocupem mais com as audiências
apuradas em “curtidas” e “compartilhamentos” do que com a profundidade
da matéria, comprometendo, inclusive, a veracidade da informação. Parece
que agora o mais importante é ter a informação, mesmo que não se queira
saber nada a respeito dela.
Se alguém acha que saber sobre algo é
igual a ver muitas coisas, certamente é uma pessoa rasa e que gosta de
parecer intelectual. Um verdadeiro generalista superficial.
As pessoas estão cada vez mais rasas em
seus relacionamentos, se comunicando de forma fragmentada pelo Whatsapp e
similares, buscando ansiosamente uma resposta imediata para questões
absolutamente sem importância ou urgência. Isso traz profundas
consequências na construção do conhecimento, pois fragiliza
completamente a formação de um repertório que permita as conexões entre
as informações, limitando totalmente as capacidades criativas e até
cognitivas.
Será que precisaremos de uma grande ruptura cultural para que esse cenário se altere?
Talvez sim, mas não acredito isso seja suficiente.
Em primeiro lugar, devemos mudar nossa própria atitude. Devemos exigir mais profundidade em nossas relações interpessoais, sermos mais criteriosos nos “posts” que curtimos e que compartilhamos e, principalmente, temos que nos aprofundar e focar nas questões que acreditamos que são de nosso interesse legítimo. Caso contrário, estaremos condenados a continuar vendo um mundo cada vez mais caótico e neurótico, com pessoas agindo sem saber para quê???!!!

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