Leon Tolstoi

E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior.
Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós.
Lc 17,20-21
Lucas 17:20-21
Seguindo ao pé da letra a sua interpretação dos ensinamentos cristãos, Tolstói encontrou o que procurava, cristalizando-se então os princípios que norteariam sua vida a partir daquele momento.1
O cristianismo do escritor recusou a autoridade de qualquer governo organizado e de qualquer igreja. Criticou também o direito à propriedade privada e os tribunais e pregou o conceito de não-violência. Para difundir suas ideias Tolstoi dedicou-se, em panfletos, ensaios e peças teatrais, a criticar a sociedade e o intelectualismo estéril. Tais ideias postas tão explicitamente causaram confusão nos fãs do famoso escritor e influenciariam um importante admirador: Gandhi, nesta época ainda na África.
Após sua "conversão", Tolstói deixou de beber e fumar, tornou-se vegetariano e passou a vestir-se como camponês. Jaime de Magalhães Lima que visitou e correspondeu-se com Tolstoi escreveu: “Leão Tolstoi foi um adepto e um apóstolo do vegetarismo. E não é pouco nem insignificante que um tal espírito e tão sublimado coração perfilhasse e praticasse essa doutrina, que a inércia moral e o poder do vício desprezam ou escarnecem na cegueira própria da sua particular estreiteza.”3 Convencido de que ninguém deve depender do trabalho alheio passou a limpar seus aposentos, lavrar o campo e produzir as próprias roupas e botas. Suas ideias atraíram um séquito de seguidores, que se denominavam "tolstoianos". Decidiu abrir mão de receber os direitos autorais dos livros que viria a escrever, só voltou a querer utilizar este dinheiro quando precisou angariar fundos para transportar para o Canadá uma comunidade de camponeses perseguidos pelo governo.1
Tolstoi chegou a ser vigiado pela polícia do czar. Devido a suas ideias e textos, foi excomungado pela Igreja Ortodoxa russa, em 1901. Alguns de seus amigos e seguidores foram também exilados. Tolstoi somente não foi preso porque era adorado em todo o mundo como um dos maiores nomes da arte de seu tempo.
Interessante pensar que as ideias mais simples são as mais perseguidas .Voltar ao simples tem sido cada vez mais difícil em nossos tempos ..tudo que se resume a ter uma existência mais real e verdadeira naquilo que dizemos ser simples gera desconforto, de alguma maneira na existência humana. Talvez como eu estava a pensar você julgue que seja um fenômeno atual devido ao consumismo , individualismo , e ao bombardeio de futilidades que vivemos .
Mas não, este sempre foi um dilema na historia humana . E por causa dela pessoas foram , são e sempre serão perseguidas .
E incrível que ideias que sejam do retorno as raízes de nossa existência , que reclamam da falta de compartilhar , de vida em comum , de dar em vez de receber , de dizer que somos especiais para os outros e vice e versa , de paz e não de guerra...enfim, de tudo que o Cristianismo Primitivo fala , de tudo que Gandhi se admirou , de tudo que Martin Luther King viveu e morreu .,de tudo que milhares de missionários anônimos vivem e morrem a cada dia.
De que Tudo que Jesus ensinou, seja tao difícil de entender..
Principalmente no Estado , no governo e na igreja institucional ..com medo de manter o" status quo" todos estes citados e muitos mais admirados pela esperança do amor , da unidade e da paz , morreram e morrem em nome da mesma.
Não há paz sem luta mesmo em nome do amor e mesmo que ela seja apenas internamente.
Mas é uma luta que vale a pena ser lutada ,
luta que nos faz refletir , pensar na nossa existência , no porque se estarmos aqui neste único e especial espaço- tempo.
Que busquemos a melhor resposta e que vivamos segundo ela.
O livro que temos em mãos é, entre os ensaios, a
obra-prima de Tolstoi.Pertence ao segundo período da vida do escritor, depois
que ele passou por uma violenta crise espiritual quando completara os cinquenta
anos (1878). Em seu livro,Minha Confissão (1882), conta que, cansado de seus mundanos êxitos
literários (jáhavia publicado Guerra e Paz em 1868, e Ana Karenina em 1875 — romances que o fizeram, já em vida,
mundialmente famoso), parte em busca da fé viva. Primeiro,entabula debates com
os filósofos do tempo, e nada. Depois freqüenta os teólogos.Estes também não
lhe deram a luz desejada. Finalmente mete-se no meio do povo pobre.Aí dá-se
conta do que é na verdade a fé para aquela gente. Percebe que para ospobres a
fé não é assunto de conversas inconsequentes, mas uma questão vital. "Só afé lhes dava possibilidade de viver." É isso que provoca sua
conversão.Depois disso, Tolstoi passa a se dedicar menos à literatura e mais ao
gênero ensaístico. Entende sua tarefa de escritor como uma verdadeira missão religiosa.
Já que não pode fazer mais, quer pelo menos pôr a pena a serviço de Deus.
Escrever torna-se para ele, como afirma em seu Diário, uma "necessidade
diante de Deus"(28/10/1895). Quando escreve, sente-se inspirado por Deus
'Teço a todos os meusamigos, vizinhos e distantes... que prestem atenção àquela
parte de minha obra na qual, eu sei, falava através de mim a força de Deus
— e a utilizem para a sua vida..."(Diário, 27/3/1895).
Até o fim de sua longa vida
(viveu 92 anos) só de ensaios produziu mais de duzentos títulos. Sua obra
completa chega a noventa volumes nas"Edições de Jubileu" (Moscou,
1928-1958).
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