sábado, 1 de agosto de 2015

VOCE TEM SEDE DE QUE ?


                                               MAIS QUE UM CARPINTEIRO
                                      ( muito antes de um movimento orgânico ) 








São Tomás de Aquino escreveu: "Dentro de cada pessoa existe uma grande sede de felicidade e propósito na vida." Quando eu era jovem, queria ser feliz. Não há nada errado com isto. Eu desejava ser um dos indivíduos mais felizes do mundo. Também queria encontrar um propósito para a vida. Queria saber a resposta de questões tais como: "Quem sou eu?" "Por que estou aqui na terra?" "Para onde irei?" Mais que isso, eu desejava ser livre. Queria ser uma das pessoas mais livres do mundo. Mas ser livre, no meu entender não é sair por aí, e fazer tudo que se quer. Qualquer pessoa pode agir assim, e muitas estão agindo. Ser livre "é ter o poder para se fazer o que se sabe ser nosso dever". A maioria das pessoas sabe o que deve fazer, mas não tem forças para isto. Estão em cativeiro. Então comecei a procurar as soluções de tais indagações. Ao que parecia, todo mundo estava associado a uma ou outra religião, portanto, fiz o que parecia mais certo. Fui a uma igreja. Todavia, devo ter ido para a igreja errada. Alguns leitores devem saber a que estou-me referindo. Exteriormente, tudo estava bem, mas, interiormente, eu me sentia horrivelmente. Ia à igreja pela manhã, à tarde e à noite. Porém, sou muito prático; quando algo não dá certo, eu o rejeito. Rejeitei a religião. A única coisa positiva que lucrei na religião foram os 25 centavos que eu punha na oferta e os 35 que tirava para o sorvete. E isto é tudo que muitas pessoas lucram na "religião". Comecei a ponderar se "prestígio" não seria a solução. Ser líder, adotar uma causa, dedicar-me a ela, e "ser conhecido" — essa devia ser a solução. Na primeira universidade em que estudei, vi que os alunos-líderes detinham os cordões da bolsa e faziam o que queriam. Então, candidatei-me a presidente da turma do primeiro ano, e fui eleito. Era maravilhoso conhecer todo mundo no compus, e ver que todos me cumprimentavam; era bom tomar as decisões, gastar o dinheiro da universidade, dos estudantes, e escolher os oradores que desejava ouvir. Foi maravilhoso, mas acabou "perdendo a graça", como tudo o mais. E eu acordava na segunda-feira pela manhã, geralmente com uma terrível dor de cabeça, por causa da noitada no dia anterior, e minha atitude era: "Bem, vamos aguentar mais cinco dias." Eu suportava tudo, de segunda até sexta-feira. A felicidade girava ao redor daquelas três noites da semana: sexta-feira, sábado e domingo. Depois, o círculo vicioso se reiniciava. Ah, enganei todo mundo na universidade. Pensavam que eu era o rapaz mais despreocupado que havia por ali. Durante as campanhas políticas, usávamos o lema: "Happiness is losh." (Felicidade é Josh.) Realizei mais festas com o dinheiro dos estudantes que qualquer outro, mas eles não percebiam que minha felicidade era igual à de muitas pessoas. Dependia de minhas próprias circunstâncias. Se as coisas iam bem, eu estava bem. Se as coisas iam mal, eu estava mal. Eu era como um navio em alto mar, sendo jogado de um lado para outro pelas ondas das circunstâncias. Existe um termo bíblico que define este tipo de vida: inferno. Mas eu não conhecia ninguém que vivesse de modo diferente, e não achava ninguém que me ensinasse a viver de outro modo ou dar-me forças para fazê-lo. Comecei a sentir-me frustrado. Creio que poucos alunos de universidade e escolas superiores são mais sinceros em sua busca de um sentido para a vida, da verdade ou de um objetivo para a vida do que eu fui. Ainda não o encontrara, mas não compreendera isto, a princípio. Mas comecei a notar, na escola, um pequeno grupo de pessoas — oito alunos e dois professores — na vida dos quais havia algo diferente. Pareciam saber por que criam e em que criam. Gosto de associar-me com pessoas assim. Não me importo se elas concordam comigo ou não. Alguns de meus amigos mais chegados opõem-se às coisas em que creio; mas eu admiro as pessoas que têm convicção. (Não conheço muitas; mas admiro as que conheço.) É por isso que às vezes me sinto mais à vontade com alguns líderes radicais do que com muitos cristãos. Alguns dos cristãos que conheço são tão incertos, que me pergunto se 50% dos cristãos não estariam apenas passando por cristãos. Mas os componentes daquele pequeno grupo pareciam saber o que queriam. E isto é incomum entre estudantes universitários. Comecei a notar que aquelas pessoas não se limitavam simplesmente a falar sobre amor. Elas se envolviam com os outros. Pareciam estar sempre acima das circunstâncias da vida universitária. Parecia que todos os outros carregavam um pesado fardo. Um fato importante que notei, é que pareciam gozar de felicidade, um estado de espírito que não dependia das circunstâncias. Pareciam possuir uma fonte de alegria interior constante. Elas eram irritantemente felizes. Possuíam algo que eu não possuía. E como acontecia com a média dos estudantes, quando eu via alguém que possuía algo que eu não tinha, eu a queria. É por isso que precisamos trancar as bicicletas num compus universitário. Se a educação fosse a solução para os males da sociedade, a universidade, provavelmente, seria a sociedade mais elevada moralmente. Mas não é. E então resolvi iniciar um relacionamento com aquelas pessoas desconcertantes. Duas semanas depois que tomei aquela decisão, estávamos todos assentados em torno de uma mesa, no centro estudantil, seis alunos e dois membros de corpo docente. E a conversa começou a girar em torno de Deus. Num grupo assim, quando a conversa toma esse rumo, a pessoa que é insegura tende a exibir uma grande fachada. Todo compus ou universidade tem um "falador", um sujeito que logo diz: "Ah... Cristianismo, ha! ha! isto é coisa de fracotes; não dá para intelectuais." (Geralmente, quanto mais falador, mais longa é a pausa.) Mas como já estivessem me incomodando, resolvi, por fim, dirigir-me a um deles. Olhei para uma jovem muito bonita (eu costumava pensar que todas as moças crentes eram feias); recostei-me na cadeira, pois não queria que os outros pensassem que eu estava muito interessado, e disse: "Diga-me uma coisa. O que mudou a vida de vocês? Por que são tão diferentes dos outros estudantes, dos líderes, dos professores; por quê?" Aquela moça devia ter muita convicção. Ela fitou-me diretamente nos olhos, sem sorrir, e disse duas palavras que eu nunca pensaria receber como resposta, em uma universidade. Ela disse: "Jesus Cristo." Retruquei: "Ah, não! Por Deus! Não me venha com este lixo. Estou saturado de religião; estou saturado de igreja; estou saturado de Bíblia. Não me venha com este lixo de religião." Mas ela respondeu prontamente: "Senhor, eu não disse religião: eu disse Jesus Cristo." Ela mencionava algo em que eu nunca pensara antes. O cristianismo não é uma religião. A religião é uma atitude dos homens tentando abrir caminho para Deus, através de boas obras. O cristianismo é o ato de Deus dirigindo-se a homens e mulheres, através de Jesus, oferecendo-lhes um relacionamento consigo mesmo.


Josh Macdowell
1976

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